27 de fevereiro de 2013

Mundo de Nós



Num mundo tão grande como poderei morrer com falta de ar onde há tanto ar? Como poderei morrer à sede onde há tanta água? Como poderei morrer sem luz onde há tanto sol? Como poderei morrer sozinho onde há tanta gente? Como poderei morrer num mundo onde simplesmente, há TUDO?
Há muito que a capacidade de contemplar o mundo se foi, passei a existir meramente para moldar o mundo à minha pequenez. De tão pequenino que sou não consegui ver que à minha volta pode haver movimento, risos, choros, gritos… Consegui a proeza de viver sozinho e para mim, para mim, para mim, para mim
O Mundo deixou de ter força para aguentar comigo, deixou de ter coragem para continuar, mas não desistiu, isso nunca (!) mas cedeu por cansaço de repor o que achei que ia e voltava.
O Mundo não esperou por mim, da mesma forma que eu olhei para ele mas não o quis ver, pois Eu próprio me sobrepus a tudo o que ele me poderia dar se eu não fosse demasiado orgulhoso para aceitar.
Aprendi a viver num mundo que não foi feito para mim, mas que com todo o cuidado destruí  com todo o cuidado deixei sem ar, sem água, sem luz, sem vida e agora já não tenho lugar nele, neste mundo despovoado simplesmente, morri!

Enfim, deram-me olhos para ver coisas belas, e mãos para as destruir!


Ass. : Eu (daqui a muito pouco tempo)

25 de fevereiro de 2013

A que horas parou o tempo?


Tenho alturas que olho para o relógio e questiono-me se não terá faltado as pilhas, a energia que o faz andar e trazer sempre dias novos, motivadores e diferentes.
De facto, o tempo já deve ter parado há muito, há muito que o passado virou presente e o futuro… Bem, esse coitado, deixou de existir, simplesmente puf!
Cada um de nós alimenta-se do dia que passou. Alimentando-se das tristezas, das amarguras, das desilusões, das preocupações, das confusões, fazendo delas fortes e indestrutíveis alicerces da vida, do tempo da vida. Passamos a ter capacidade de viver e reviver o que não gostamos, o que deploramos e que podia ter ficado no dia de ontem, contudo preferimos prolongar o dia de ontem, o dia que nos fez mal, pela nossa eternidade, trazendo assim vícios novos, o vício do desprezo, o vício do egoísmo, o vício da maldade, o vício da pobreza de espírito.
Eu, tu, o vizinho, o colega de trabalho, todos conseguimos com que o nosso tempo ficasse parado no próprio tempo, e assim embrulhamo-nos muito bem na amargura do dia, no desespero do dia, na dificuldade do dia, e não vemos que nos podemos desembrulhar, e apanhar um pouco de alegria, um pouco de amor, um pouco de vida.
Eu, tu, o vizinho, o colega de trabalho, seremos capazes de fazer o tempo andar, se abrimos a janela para o passado sair, e ao mesmo tempo abrirmos a porta para o futuro entrar, pois, um dia a nossa perpetuação da angustia, da amargura, do egoísmo, e sei lá mais o quê não terá mais eternidade, porque a nossa breve eternidade acaba e ai, SIM deve o tempo parar, porque nessa hora é que é hora dele parar… Por agora fica ou deve ficar a vontade de andar com o tempo, não à frente dele, nem atrás, mas sim ao compasso dele, ao compasso da nossa breve vida, ao compasso da nossa paixão pela vida.
Faremos os relógios andar, com o motor do amor, da amizade, da compreensão, da fraternidade por mim e pelos outros, pois o tempo pára quando deixo de gostar de mim, para adorar o mal que os outros fazem.

Afinal, é o amor e não o tempo que cura todas as feridas.
 

20 de fevereiro de 2013

O Banco não está Vazio


Primeiro sentou-se ele, e esperou…
A espera foi longa, mas a persistência ainda mais!
Ela veio, torta e indecisa, mas sentou-se. Sentou-se e olhou para ele, tocou-lhe no rosto e ouviu da boca dele, que não tinha de ser perfeito, mas tinha de ser vivido, porque aliás o amor não é perfeito mas foi feito para ser vivido.
Ela pensou, como poderia ser o amor perfeito? Se o amor não vai para a esquerda, vai para a direita, se não é em dia de chuva será num dia de sol, se não vai direito vai pelas curvas, pode andar mas também pode correr, podemos chorar como podemos sorrir… Contudo se houver amor, este terá sempre espaço no banco!
Bem, depois… Depois, deram as mãos e juntos seguiram caminho, um caminho que não é longo nem curto, mas é um caminho que querem viver, que querem sentir, que querem amar.
Voltar ao banco agora torna-se fácil, ele e ela vão juntos, ele já não espera e ela já não é indecisa, se algo mudou, foi a forma de verem o amor um do outro e um pelo outro, foi a forma de sentarem no banco.
Os anos e as intempéries vão passar pelo banco, as tábuas ficarão mais fracas, mas continuarão a ser a muralha protectora daqueles que ali se sentarão à espera, ou indecisos, eufóricos ou tristes.
Os anos e as intempéries vão passar por ele e por ela, e daqui a um ano, dois, dez, cem, voltarão ao banco e serão capazes de dizer, que não é perfeito mas é o melhor que têm.