27 de fevereiro de 2013

Mundo de Nós



Num mundo tão grande como poderei morrer com falta de ar onde há tanto ar? Como poderei morrer à sede onde há tanta água? Como poderei morrer sem luz onde há tanto sol? Como poderei morrer sozinho onde há tanta gente? Como poderei morrer num mundo onde simplesmente, há TUDO?
Há muito que a capacidade de contemplar o mundo se foi, passei a existir meramente para moldar o mundo à minha pequenez. De tão pequenino que sou não consegui ver que à minha volta pode haver movimento, risos, choros, gritos… Consegui a proeza de viver sozinho e para mim, para mim, para mim, para mim
O Mundo deixou de ter força para aguentar comigo, deixou de ter coragem para continuar, mas não desistiu, isso nunca (!) mas cedeu por cansaço de repor o que achei que ia e voltava.
O Mundo não esperou por mim, da mesma forma que eu olhei para ele mas não o quis ver, pois Eu próprio me sobrepus a tudo o que ele me poderia dar se eu não fosse demasiado orgulhoso para aceitar.
Aprendi a viver num mundo que não foi feito para mim, mas que com todo o cuidado destruí  com todo o cuidado deixei sem ar, sem água, sem luz, sem vida e agora já não tenho lugar nele, neste mundo despovoado simplesmente, morri!

Enfim, deram-me olhos para ver coisas belas, e mãos para as destruir!


Ass. : Eu (daqui a muito pouco tempo)

5 comentários:

  1. Belo poema e tão actual!
    Não tenho duvidas de que a poesia é a linguagem da alma enquanto na Terra.
    Há algumas noites atrás, acordei de madrugada devido ao barulho de um alarme. Foi um acordar diferente, consciente: desci do reino dos sonhos à Terra por uma espécie de túnel. No inicio era tudo luminoso e leve, mas conforme descia, senti o peso da Gravidade e das trevas. Tenho a certeza que foi uma experiência real e faço questão de a partilhar, para que as pessoas saibam que a vida não é tudo e vale a pena lutar. Um dia esse túnel será luminoso de cima a baixo, quando firmarmos a luz na Terra.
    Bem hajam amigos!

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    1. Desde já tenho a agradecer de além de vir visitar o nosso pequeno trabalho, deixa cá sempre o seu cunho.
      Grandes e sábias palavras, que nos deixa. De facto viver no reino dos sonhos será sempre muito mais glamoroso, do que lutar por uma vida, uma vida digna em todos os aspetos aqui na Terra.

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    2. Compreendi a amargura do autor deste desabafo, daí ter mencionado essa minha experiência.
      Desde que tive conhecimento deste blogue, fico sempre à espera de mais inspirações. Gosto de pessoas que questionem a vida e tenham sensibilidade para apreciar as coisas mais simples. Os amantes da natureza são assim.
      Sou sonhador por natureza, mas também lutador.
      Fiquem bem!

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  2. Gostei muito deste...
    Na minha opinião, por enquanto um dos melhores :) bjinhu

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    1. Obrigado Filipa. Vai visitando este nosso espaço :)
      Beijo

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