Casou
aos 21 anos, feliz e cheia de amor.
O
amor cresceu no seu coraçãozinho do alto da janela, para onde todos
os dias corria para o ver passar. Nunca se tinham falado, mas todos
os dias cruzavam um olhar cheio de paixão, de cumplicidade, de vida.
Certo
dia, brotou a coragem e pediu a mão da rapariga em casamento. Era
notória
a felicidade, mas sobretudo a vontade de viver aquele grande e eterno
amor, por tal daí ao casamento não foram largos anos, mas os
necessários.
Ora,
depois do casamento, vieram
os filhos, cinco filhos, três fortes rapazes e duas belas raparigas.
Anos mais tarde, nasceram os netos, e até bisnetos. Que casa cheia,
alegre, viva, feliz!
Cada
ano que passava trazia ainda mais amor ao coração de cada um,
viviam a sua vida carregados de paixão, tal e qual a que sentiam no
dia em que o pai deu autorização para o casamento.
Nada,
nunca, será eterno, e um dia, alguém o levou! Para onde foi não se
sabe bem ao certo, mas contam que foi para aquele lugar que deixa
arrasado de saudades quem por cá fica.
As
saudades ficaram tal como o amor, mas agora não há a quem dá-lo,
pois os filhos, os netos, os bisnetos esqueceram-se de onde veio o
amor que os gerou, e esqueceram-se de ir espreitar à janela.
Agora
estou velha
e resta-me esta velha
casa, com esta velha
janela, onde ele já não passa, onde eu estou sozinha,
e onde ficarei
para sempre.
Enviuvou
aos 78 anos, triste e cheia de solidão!
Referes-te a alguém em concreto ou pretendeste simplesmente reportar-te à solidão que cerca muitos idosos?
ResponderEliminarSeja como for, é um texto com sentimento. Um sentimento em contra-ciclo com o individualismo feroz dos nossos dias...
Não fala de Ninguém em particular, é um olhar geral sobre a nossa sociedade que esquece os idosos e os deixa morrer na solidão.
EliminarO texto é da Carmen.