Ó
Vento que fazes andar os moinhos e dançar as árvores, vem e traz-me
um beijo bem quente ou frio e um abraço bem apertado e que me leve
para onde ainda possa sonhar.
Ó
Vento que andas por tantas terras e lugares vem e conta-me histórias
que ainda me façam sonhar e acreditar que posso viver neste mundo.
Ó
Vento que conheces tantas pessoas de tantas raças, feitios e gostos
vem e diz-me como posso ainda sonhar com uma vida onde as pessoas se
respeitam, toleram e amam.
Ó
Vento que conheces tantas línguas, vem e diz-me como o mundo pode
ser um só.
Ó
Vento que ouves tantas angústias, conta-me como sobrevivem pessoas
que vivem pior que eu.
Ó
Vento que assistes a tantos crimes, segreda-me como carregas o peso
de uma confissão tão obscura como o mal (gratuito).
Ó
Vento que és testemunha de tantos amores, com que olhos vês juras
de amor a desaparecerem
por pequenas chuvas?
Ó
Vento, que na primeira fila presencias, as
guerras, fomes e mortes, diz-me se este Mundo ainda tem solução!
Ó
Vento que és tão livre e puro, diz-me onde ainda mora o sonho, o
amor, a coragem, o bem, a tão esquecida felicidade!
Ó
Vento que de tão leve que és, conta-me bem baixinho, como carregas
este pequeno Mundo cheio de ti e cheio de nós.
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