17 de março de 2013

Vento


Ó Vento que fazes andar os moinhos e dançar as árvores, vem e traz-me um beijo bem quente ou frio e um abraço bem apertado e que me leve para onde ainda possa sonhar.
Ó Vento que andas por tantas terras e lugares vem e conta-me histórias que ainda me façam sonhar e acreditar que posso viver neste mundo.
Ó Vento que conheces tantas pessoas de tantas raças, feitios e gostos vem e diz-me como posso ainda sonhar com uma vida onde as pessoas se respeitam, toleram e amam.
Ó Vento que conheces tantas línguas, vem e diz-me como o mundo pode ser um só.
Ó Vento que ouves tantas angústias, conta-me como sobrevivem pessoas que vivem pior que eu.
Ó Vento que assistes a tantos crimes, segreda-me como carregas o peso de uma confissão tão obscura como o mal (gratuito).
Ó Vento que és testemunha de tantos amores, com que olhos vês juras de amor a desaparecerem por pequenas chuvas?
Ó Vento, que na primeira fila presencias, as guerras, fomes e mortes, diz-me se este Mundo ainda tem solução!
Ó Vento que és tão livre e puro, diz-me onde ainda mora o sonho, o amor, a coragem, o bem, a tão esquecida felicidade!

Ó Vento que de tão leve que és, conta-me bem baixinho, como carregas este pequeno Mundo cheio de ti e cheio de nós.

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