Há
alguns pares de anos, não muitos, respeitar e ser respeitado era tão
simples até como ter sede, frio ou calor, fazia parte de nós.
Agora,
o respeito pelo meu semelhante e até por mim mesmo é algo do
passado, arriscaria quase, algo da história, algo que só se relata,
já não se vive.
Do
mais simples ao mais surpreendente o respeito foi ficando
dissimulado, deixou de ter peso na nossa cabeça, nas nossas acções
e até nas nossas palavras, pois para alcançarmos as nossas fracas
metas precisamos de pisar e espezinhar o respeito e a compaixão,
pois achamo-nos superiores, superiores ao simples acto de respeitar.
Na necessidade de
abolir o respeito da nossa existência, conseguimos abolir também a
capacidade de relação com os outros, pois os alicerces, as paredes,
o chão, o telhado, que formam uma relação, por mais que evolua o
tempo ou o ser humano, será sempre o respeito. Por tal torna-se um
tanto ou quanto confuso perceber como se sobrevive sem relação, sem
respeito.
No
entanto a confusão, a nuvem negra, desfaz-se quando vemos alguém a
troco de nada, destratar, falar mal, ignorar, desprezar alguém. Só
porque sim esquecemos que ter respeito gera respeito e sobretudo gera
gerações capazes de viver e olhar o mundo com gratidão, com o
valor que ele merece.
Desprezamos
o mais velho, o professor, o pai, o vizinho, o amigo, sem qualquer
razão, simplesmente porque arrumámos o respeito no fundo de uma
grande gaveta, e para o irmos buscar temos de desarrumar o nosso
orgulho e a nossa superioridade.
Respeito?
É um filme?
-
Sim, mas daqueles de terror!
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