13 de março de 2013

A que horas brincam?

Ao início de cada ano escolar e de todas as atividades que se regem pelo mesmo calendário, somos “confrontados” com crianças super atarefadas.
Diariamente ouvimos pais, com expressões semelhantes a “depois de sair da escola, tem natação, dança, futebol, musica, karaté…”, ou seja após o período escolar a criança tem um sem número de atividades, todas elas dirigidas por outrem, onde o espaço para a criatividade e espontaneidade da criança fica muitas vezes esquecido.
É certo que todas estas atividades são bastante importantes para a formação das crianças em diferentes áreas e que sem dúvida alguma enriquecem este futuros adultos, contudo, pergunto, haverá necessidade de serem todas ao mesmo tempo?
Em tempos idos, não há muito tempo, quando se pensava em crianças era implícito pensar em brincadeira, em tempo para brincar, e nos tempos que correm ao pensarmos em crianças, pensamos primeiramente em todas as multi tarefas que têm diariamente.
Enquanto crianças, é nas brincadeiras sozinhos ou a pares, que estes desenvolvem a sua criatividade, espontaneidade, a relação com os outros, e sobretudo inúmeras habilidades de forma natural. Isto tudo, porque na brincadeira não está implícito qualquer compromisso nem tão pouco o planeamento de algo – é tudo genuíno. Porém, sabemos que, hoje mais do que nunca a criança precisa de estar em contacto com regras, e para tal, além do que já evidenciei em cima, as atividades extra escola são muito boas para adquirirem regras e compromissos.
As atividades são importantes, mas porque não de forma faseada? A criança depois de sair da escola, vai para as atividades (que possivelmente gosta), depois vem para casa, janta, faz os trabalhos da escola, e em seguida vai dormir, e agora pergunto, e a que horas brincou? A que horas “treinou” a sua criatividade?
Brincar não necessita de hora marcada, mas sim de tempo!

Texto anteriormente publicado no Jornal "O Dever", em Setembro de 2012

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