Ao início de cada
ano escolar e de todas as atividades que se regem pelo mesmo
calendário, somos “confrontados” com crianças super atarefadas.
Diariamente
ouvimos pais, com expressões semelhantes a “depois
de sair da escola, tem natação, dança, futebol, musica, karaté…”,
ou seja após o período escolar a criança tem um sem número de
atividades, todas elas dirigidas por outrem, onde o espaço para a
criatividade e espontaneidade da criança fica muitas vezes
esquecido.
É
certo que todas estas atividades são bastante importantes para a
formação das crianças em diferentes áreas e que sem dúvida
alguma enriquecem este futuros adultos, contudo, pergunto, haverá
necessidade de serem todas ao mesmo tempo?
Em
tempos idos, não há muito tempo, quando se pensava em crianças era
implícito pensar em brincadeira, em tempo
para brincar,
e nos tempos que correm ao pensarmos em crianças, pensamos
primeiramente em todas as multi tarefas que têm diariamente.
Enquanto
crianças, é nas brincadeiras sozinhos ou a pares, que estes
desenvolvem a sua criatividade, espontaneidade, a relação com os
outros, e sobretudo inúmeras habilidades de forma natural. Isto
tudo, porque na brincadeira não está implícito qualquer
compromisso nem tão pouco o planeamento de algo – é tudo genuíno.
Porém, sabemos que, hoje mais do que nunca a criança precisa de
estar em contacto com regras, e para tal, além do que já evidenciei
em cima, as atividades extra escola são muito boas para adquirirem
regras e compromissos.
As
atividades são importantes, mas
porque não de forma faseada?
A criança depois de sair da escola, vai para as atividades (que
possivelmente gosta), depois vem para casa, janta, faz os trabalhos
da escola, e em seguida vai dormir, e agora pergunto, e a
que horas brincou?
A que horas “treinou” a sua criatividade?
Brincar
não necessita de hora marcada, mas sim de tempo!
Texto anteriormente publicado no Jornal "O Dever", em Setembro de 2012

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