20 de março de 2013

O Ultimo degrau


Não posso afirmar que foi durante toda a minha vida, pois quando somos pequenos nem sabemos caminhar, quanto mais subir a escada, contudo nos últimos anos da minha vida, percebi que escada queria subir, tracei metas, lutei por elas e consegui com todo o meu esforço, desespero e cansaço alcançar o penúltimo degrau da minha escada.
A subida não foi boa nem má, não foi rápida nem lenta. Foi a necessária e demorou tudo o que tinha para demorar para assim me oferecer todas as ferramentas que precisaria para construir o meu último degrau.
Durante anos acreditei que estaria a fazer o melhor por mim, para no futuro fazer o melhor pelos outros. Achei que a minha vida teria obrigatoriamente de passar por ali, pois só assim alcançaria o tão esperado degrau. Não saltei degraus para trás, mas também não galguei nenhum, subi um a um, muitas vezes com muito esforço pois as pernas teimavam em fraquejar. Contudo percebi que a minha formação ia passar por momentos deliciosos como alcançar degraus novos, mas também por momentos de fraqueza, onde alcançar um degrau, por vezes parecia uma miragem.
Nada foi uma miragem. A corrida até entrar numa Escola Superior de Alguma Coisa é tão rápida que nem percebemos como entramos, mas depois chega o tempo de investir tudo, inclusive aquilo que não há: investimos as nossas capacidades, o nosso esforço, a nossa determinação, a nossa confiança, o nosso (muito) dinheiro, muitas vezes em detrimento das relações familiares e afins.
Chego ao penúltimo degrau, e não posso avançar para o último, pois deste investimento tenho como retorno um papel que me atesta capacidade de algo, mas que não me garante o lugar no tão desejado, batalhado e mirado degrau.
Não, não estou desiludida, porque fiz o que tinha de fazer, o que queria fazer e como queria fazer, não fui a melhor aluna do meu curso, mas alcancei a minha formação não com esforço alheio mas com o meu, e serei um pouco daquilo que me ensinaram e um pouco daquilo que fui capaz de aprender.
Sim, sim recuso-me a sair do meu país para ir construir o último degrau noutro canto qualquer, pois aqui me formei, aqui acreditei que o meu país um dia teria um lugar para poder dar tudo aquilo que recebi.

Acho que me falta o cimento para construir o meu último degrau! Acho que me falta uma vaga! Acho que me falta um país!

2 comentários:

  1. Não tarda e não temos país, sequer.
    Para além do que existe já não nos pertencer...

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  2. Gostei! :)
    A realidade de muita gente..

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